misto de esperança e mistério fugaz.
Açoitas-me com a tua fuga silenciosa
e sou acordada de um sonho que nunca julguei capaz.
Meu corpo frágil e inerme refila
perante arma tão cortante e traiçoeira.
É raiva que nasce em mim e que me defende
como que perdida nesta tua repentina ratoeira.
Equilibro-me e cedo e não sei onde caio,
abismo escuro e brilhante que me ofusca.
Agarro-me ao nada e sinto o todo,
o todo que necessito para não perder a busca.
O meu coração é de areia. Foi assim que o deixaste.
Sopraste e ele, desfeito, foi apanhado pelo ar agitado e imenso.
Agora sou de todos e não sou de ninguém.
Cravo as mãos na terra para moldar de novo o que jaz suspenso.
Renasço enraizada por um campo de raiva.
Abro os braços e pelo vento deixo-me levar.
Um dia sepultarei os restos imundos de me criaste
e deles parirei um amor que jamais conseguirei julgar.

"Açoitas-me com a tua fuga silenciosa."
ResponderExcluirParece que me vejo quando você falou isso.