Era tarde.
Meus dedos sequer sabiam tocar as mesmas teclas, as mesmas cordas.
Estavam mudos.
Não há música a embalar o desassossego de mim sem você.
E meus ouvidos perderam o tato do amor que se ausentou.
Preservado de nós dois, o silêncio é o sal da redenção.
Decretamos a noite. Decretamos o sangue.
Meus olhos arriscam em te ver mesmo no escuro.
- Apague as velas meu amor, venha, a cama continua arrumada.
Ele não escuta.
Uma canção lança o farol sobre a nossa extensiva paisagem amorosa, e meu olhar te abraça em cada corpo ausente.
Fugitivos de nós dois.
Fugitivos de um futuro.
- Ou vai ou fica, querida.
- Eu vou, ouriço.
Alteramos os dias...Minha-tua natureza frágil não tem como escapar do medo,ele nos revela mortos. Uma melodia romântica é capaz de nos deixar no chão, é capaz de nos fazer dançar. Mas por favor, “Don’t watch me dancing.”
- Eu vou, ouriço.
Alteramos os dias...
Minha-tua natureza frágil não tem como escapar do medo,
ele nos revela mortos.
Uma melodia romântica é capaz de nos deixar no chão, é capaz de nos fazer dançar. Mas por favor, “Don’t watch me dancing.”
- Por favor, menina! Pare de dançar por cima dos meus pés, eles estão doendo.
Tuas mãos tão geladas e aflitas quanto as minhas.
Teimosamente, disfarçadas de nós dois.
Posicionei-o na prateleira.
Você é a minha derrota predileta, mas já é chegada à hora de devolver o troféu.
Não me tome como desalmada, isso não sou!
Tive toda a delicadeza e zelo embora bem cansada, não dei as costas e nem fingi desconhecê-lo.
Dos males o menor, amar em demasia povoa e funda poemas.
É preciso cuidado com o pedido alcançado.
E se o amor se esvair de vez?
O tempo tem me assustado.
O frio tem me levado.
Nem precisa preocupação, piedade muito menos.
Pois você sabe que os calendários apenas imitam o tempo, e o nosso?
O nosso... O nosso... O... Nosso...
Um desconhecido me toma pela cintura.
Trégua:
Para onde fomos que não nos levamos? Para onde vou que não te levo?
Eu uso a poesia para contrariar o tempo!
E você meu bem, por onde se deixou escorrer?
Eu uso as palavras para espantar o eco da tua presença!
“Eu tenho que ir, amor”!
Morrer de vida, viver de morte.

O dia é escuro e nem três sóis seriam suficientes para fazer-nos enxergar com clareza as nuances que permeiam a existência. Mas existem certos momentos, certas pessoas, que são flashes, e por menos de um segundo que seja, nos fazem ver além de tudo e nos sentir menos sozinhos na vida, já que inevitavelmente morreremos sem ninguém por perto.
ResponderExcluirSeus textos me amedrontam e me dão esperança. E nesse paradoxo, eu sigo buscando nas suas palavras e nos seus (poucos) sorrisos, a salvação dos meus pecados.
Legal simplesmente não foi suficiente.
Nada mau, parabéns. :]
ResponderExcluire como sempre,
ResponderExcluirsuas palavras me surpreendem...
você escreve de uma maneira diferente
eu gosto tanto dos seus textos *-*
Ótimo texto!
ResponderExcluir- Por favor, menina! Pare de dançar por cima dos meus pés, eles estão doendo. (melhor parte!!!)
Belas palavras :}
ResponderExcluir- Você é a minha derrota predileta, mas já é chegada à hora de devolver o troféu. ((gostei dessa parte))
No meu blog só tem meninos comentando. (:
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