Pés.
Abri as janelas à espera de alguma idéia que pudesse seduzir-me, e lembrei-me do dia em que o encontrei na cidade, deserta, conforto... Até parecia uma puta desprezível e mal-encarada me esperando na esquina.
Ele tinha dificuldades para respirar, mas começou a me sufocar. Para escrever preciso de uma folha de papel, ousadia, ou talvez eu me parta ao meio em covardia para medir forças...Ora de jogar dados.
- Não sou fidalgo, sou de outro algo.
Plangente palhaço sem riso, sem brilho e remota cidade sem civilização. Perco o passo a saltar entre as vielas de curioso que trago entre tantas cenas o meu olhar inquisidor. Minhas botas estão imundas... De lavar é à hora. De gozar é a tara.
A cidade à noite vazia é muito mais sedutora. Comprei, pintei, tranquei, escrevi, mostrei, guardei, filmei e, foi tão confortável. O mundo não me cala e as senhoras de enormes olhares não me amedrontam, tem vezes que preciso gritar, não tenho medo de gritar, GRITO, esmurro, gargalho.
“Sou sádico como, o senhor.”
Eu as afasto com meu nobre erotismo porque de meu caminho arranco todas as culpas e fardo algum trago comigo. E todos verbalizam suas soluções como se fora eu um fantoche posto para recriação. Renego todos que me tocam porque crio minhas curas, minhas denúncias e medo só existem se houver outro ser ao meu lado porque me divirto estando só. Pescador de rede tamanha de todos os peixes e, de todos os mares, sou herói. E Dalila me traiu, burra mulher.
E de quimeras é feita a vida assim como o pedestal de onde ergo minha fonte em todo o horizonte e minhas ilhas não são vistas a olho nu. Engraçado é esse traço de invenção que me fora dado. Embora fantoche me denominem as vozes humanas, liberta está minha primeira condição.
Viver de cara livre ao modo de ser triste escrevendo críticas e fazendo crescente minha criação. Sem mim não há mundo e carrego entre as palavras a prova de meu talento que é único, singular e adjetivo. Vadios são os outros. Eu sou protegido e recrio o que do lixo que se esvai. Na verdade, invento misérias para alegrar a triste sorte dos ingênuos e a vergonhosa malícia dos mortais.
Não sou fidalgo. É fato.
Sou trapo rasgado e remendado arfando vento a caçar buracos e de alma despudorada prometo causar desgraça aos que muito falam e da vida sabem nada.
"Sou um homem porque erro"
Muito show, parabéns :*****
ResponderExcluirExcelente, parabéns. Quem dera eu poder escrever em prosa tão bem assim.
ResponderExcluirLer seus textos e imaginar seu sotaque.. é até engraçado viu? HAUAUAAUAHUA
ResponderExcluirE esses textos eim?
Me da até uma pontinha de orgulho termos o mesmo nome.